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Entrega de imóvel

Lei do Inquilinato e vistoria de saída: o que comparar

O que a Lei 8.245/1991 diz e o que não diz sobre a vistoria de saída, e como comparar o imóvel com a vistoria de entrada, item por item.

Por
Engenheiro Civil · CREA-GO 1015110908D

Publicado em
Atualizado em · 7 min de leitura

Ilustração de prancheta e registros usados na comparação de condições de um imóvel
Imagem ilustrativa gerada com IA para este conteúdo.

Resposta direta

A Lei 8.245/1991 não obriga a fazer vistoria de saída nem fixa prazo em dias para ela ou para os reparos: o art. 23, IX só prevê que o locatário permita a vistoria pelo locador ou por seu mandatário, com dia e hora combinados, e o art. 23, III manda devolver o imóvel no estado em que foi recebido, salvo as deteriorações do uso normal. Por isso, o centro da vistoria de saída é a comparação com o estado de entrada, no mesmo ambiente, componente e condição de uso. A vistoria visual documenta o que é observável e não substitui investigação técnica quando a causa de um problema é incerta.

O que a lei diz e o que ela não diz

Três dispositivos da Lei 8.245/1991 (Lei do Inquilinato) tocam a vistoria. Pelo art. 22, V, o locador fornece, se o locatário pedir, descrição minuciosa do estado do imóvel na entrega, com os defeitos existentes. Pelo art. 23, III, o locatário restitui o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do uso normal. E pelo art. 23, IX, o locatário permite a vistoria do imóvel pelo locador ou por seu mandatário, com dia e hora combinados.

Repare no condicional do art. 22, V: a descrição detalhada na entrada depende de pedido do locatário. Se a locação começou com laudo de entrada, ele é a referência da saída. Se não começou, confira que registros existem antes de discutir qualquer pendência.

O que a lei não diz também pesa. Os pontos abaixo ficam para o contrato e para o procedimento da imobiliária, e uma divergência sobre eles é assunto para advogado.

  • Não fixa prazo em dias para a vistoria de saída nem para os reparos.
  • Não obriga a fazer vistoria de saída.
  • Não diz quem escolhe o prestador dos reparos.
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Como a vistoria de saída funciona na prática

Como a lei não detalha o procedimento, cada empresa publica o seu. O QuintoAndar, que atende Goiânia e Aparecida de Goiânia, descreve assim em sua central de ajuda, na versão consultada em 2026-09-23: a vistoria de saída ocorre entre o último dia do contrato e os 3 dias úteis seguintes; os reparos são feitos antes dela; depois, o proprietário revisa o laudo em até 5 dias corridos e, em seguida, o inquilino, também em até 5 dias corridos.

Esse é o procedimento de uma empresa, não uma regra geral: confira o que diz o seu contrato. Nos tribunais, a comparação entre entrada e saída também pesa. Em página atualizada em 2024-08-26, o TJDFT reuniu acórdãos em que o laudo de saída feito por uma só parte não bastou, sozinho, para provar o estado do imóvel, e registrou também decisões em outro sentido. É uma amostra de um tribunal, que serve como exemplo e não é jurisprudência consolidada.

Compare o mesmo item, com a mesma referência

Uma foto ampla da sala na entrada não permite comparar com precisão um pequeno detalhe do rodapé na saída. Procure equivalência: mesma parede, mesma face da porta, mesma bancada. Quando houver diferença de iluminação, observe o conjunto antes de concluir que a cor ou o acabamento mudou.

Monte uma tabela simples com quatro campos: item do laudo, condição registrada na entrada, condição atual e encaminhamento proposto. Use nomes consistentes para os cômodos. A identificação “quarto da frente” é mais útil do que alternar “quarto um”, “suíte” e “dormitório” para o mesmo espaço em documentos diferentes.

Descreva o que aparece, sem presumir a causa

Uma descrição útil informa localização, extensão aproximada e aparência. “Mancha escura no teto sobre a janela” registra uma observação. “Telhado totalmente comprometido” já é uma conclusão que precisa de avaliação. Essa diferença importa porque uma decisão precipitada pode ampliar o escopo sem resolver a origem.

Separe também estética de funcionamento. Uma porta pode ter riscos superficiais e fechar corretamente; outra pode parecer nova e não travar. Fotografe o acabamento e anote a condição de uso. Se não foi possível testar um componente com segurança, registre a limitação em vez de preencher o campo como se estivesse aprovado.

Organize as fotografias para que sejam compreensíveis

Fotografias soltas no celular ficam difíceis de consultar semanas depois. Crie pastas por ambiente e use uma sequência: vista geral, aproximação e detalhe. Preserve os arquivos originais, sem filtros que alterem cor ou ocultem defeitos. O contexto da imagem costuma ser tão importante quanto sua nitidez.

Quando houver uma medição feita pelo profissional, registre como ela foi obtida e a que ponto se refere. Não conclua que uma fissura é segura apenas porque parece estreita na foto. Mudança ao longo do tempo, posição e sinais associados podem ser mais relevantes do que o aspecto isolado.

  • Identifique ambiente e componente em cada observação.
  • Guarde a fotografia geral junto à imagem do detalhe.
  • Mantenha as datas e os arquivos originais disponíveis.
  • Registre serviços anteriores e alterações autorizadas.
  • Anote itens não acessados ou não testados e o motivo.

Trate divergências antes de autorizar o reparo

Quando o laudo inicial é incompleto, não compense a falta de informação com suposições. Reúna mensagens, notas de manutenção e registros de comunicação feitos durante a locação. Apresente a diferença de forma objetiva e peça o alinhamento do item antes de contratar substituições ou pintura de grandes áreas.

A legislação da locação estabelece deveres de locador e locatário e considera o uso normal do imóvel. A definição de responsabilidade em uma situação concreta depende dos fatos e do contrato. A avaliação técnica pode esclarecer origem e solução de um defeito; ela não substitui a interpretação jurídica de uma controvérsia.

Entenda o limite da vistoria visual

Uma conferência de entrega não permite enxergar tubulações embutidas, a face superior de uma cobertura inacessível ou conexões dentro de um quadro elétrico. Um acabamento sem manchas na data da visita também não prova, sozinho, a ausência de problemas em todas as condições de uso.

Por isso, os registros devem indicar acesso, disponibilidade de água e energia e outros limites relevantes. Quando aparece um sinal que precisa de diagnóstico, defina uma avaliação específica. Não transforme a entrega das chaves em incentivo para abrir instalações ou subir em cobertura sem planejamento, autorização e profissionais preparados.

Transforme o registro em uma lista executável

Ao terminar a comparação, cada pendência deve ter localização, descrição, ação combinada e responsável pelo próximo passo. Alguns itens vão direto para o orçamento; outros precisam de visita ou confirmação de material. Essa separação evita que a equipe descubra no último dia que faltava uma peça específica.

Depois dos reparos, confira a mesma lista e acrescente fotos do resultado. Mantenha identificadas as pendências que não faziam parte do contrato de execução. Uma boa documentação permite explicar o serviço sem depender da memória de quem esteve no local e facilita a conferência entre inquilino, proprietário, imobiliária e prestador.

Dúvidas sobre o tema

Perguntas frequentes

A Lei do Inquilinato obriga a fazer vistoria de saída?

Não. A Lei 8.245/1991 não obriga a fazer vistoria de saída nem fixa prazo em dias para ela ou para os reparos. O art. 23, IX prevê que o locatário permita a vistoria pelo locador ou por seu mandatário, com dia e hora combinados. O procedimento da saída costuma estar no contrato e nas orientações da imobiliária.

A vistoria de saída precisa repetir a ordem da entrada?

Não há uma exigência universal de formato, mas repetir a ordem e os nomes dos ambientes facilita a comparação. O importante é que cada observação encontre sua referência e que diferenças e limitações sejam registradas claramente.

Uma foto permite descobrir a causa de uma infiltração?

A foto ajuda a identificar o sinal e sua localização. A causa pode depender de histórico, inspeção de áreas próximas e testes planejados. Evite fechar uma solução definitiva apenas pela aparência da mancha.

Um retoque localizado sempre fica igual ao restante da parede?

Não. Cor, brilho, envelhecimento, lote, ferramenta e textura influenciam o resultado. A extensão do acabamento deve ser avaliada e combinada antes da execução, para que a expectativa seja realista.

Fontes e referências técnicas

Fontes consultadas em . Orientação geral: o diagnóstico e a definição do serviço dependem das condições do imóvel.

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